“O Caso. Não a Pergunta” – Reflexões Sobre Oraculismo

“O Caso. Não a Pergunta” – Reflexões Sobre Otarot-card-reading-consultationraculismo

Ao longo da vida estudando o TAO e o I-Ching, muitas visões que tinha a respeito da leitura e consulta oracular foram influenciadas de uma maneira irreversível.

Há uma grande variedade de formas de um oráculo interpretar as linguagens.

A que tenho visto mais ativa são as premonitórias.

Fulano pega a mão de Cicrano.

“Cuidado com o mar…”

“Você terá casamentos infelizes até os seus quarenta anos…”

Fulana pergunta para o Oraculista.

“Eu to grávida?”

Quando uma situação dessas aparece em consultório eu geralmente procuro ser ético e pergunto:

“Com todo o respeito, essa não me parece uma questão boa para se perguntar a um oraculista, mas a um médico e de preferência obstetra. Você ainda sim quer continuar com a sessão? Pois vejo que sua angústia pode residir em outras coisas que podemos consultar.”

O que deve, em minha opinião, imperar nas relações entre oraculistas é o respeito.

Respeito às formas de se interpretar as linguagens adotadas por cada profissional. Respeito ao consulente. Respeito ao Tempo.

 Principalmente respeito ao consulente. Não porque ele está pagando e quer suas respostas e, com isso, fazer a pergunta que achar melhor. Mas porque ele é um ser que, ao buscar um oraculista, está declarando (não verbalmente às vezes) que possui uma angústia.

- Por quê cuidado com o mar?

- Por quê ter casamentos infelizes ate os 40?

- Por quê está grávida?

Tudo se resume às circunstâncias. A situação e caso em que o consulente se encontra. O caso.

O que é “caso” nesse sentido?

Caso, nada mais é que o contexto que, no exemplo do consulente, está a gerar angústia. Tão latente que o faz procurar um oraculista.

 Alertar sobre o cuidado com o mar, informar a situação conjugal de acordo com a faixa etária e responder quanto a gestação pode até ajudar em alguns pontos, já que o consulente TENTOU expressar sua angústia na forma de uma dúvida. Alguma expressão. Ele tentou por pra fora algum sentimento que ele gostaria que fosse amenizado.

Mas muitas vezes não é isso que ele realmente procura. Por isso que muitos oraculistas amam seu trabalho, pois nas sessões muitas vezes as orientações saem da linha principal da pergunta e respondem questões muito abrangentes e fascinantes. Você vê um consulente entrando com a visão turvada com o véu da dúvida e saindo com o esclarecimento sabendo algumas coisas. Se não sabe ainda o que fazer, sabe pelo menos o que NÃO fazer. De qualquer forma, a visão turva dá lugar a um olhar com brilho. Já manjando dos paranauê.

O TAO ensina um caminho de reflexão. Um caminho onde cada passo a ser dado merece um pensamento atencioso. Às vezes a reflexão sugere a justamente não dar o tal passo.

O que é mais importante, ao meu ver, que deve ser entendido no momento de uma consulta é:

A Angústia é amenizada, ou começa a surgir esperanças de melhoras, a partir do momento onde o esclarecimento da situação é apresentado e a consciência dos passos a serem tomados surge.

Isso é esclarecer o tal caso. Auxiliar o consulente e entender a angústia. Não uma resposta sobre a resolução de uma angústia.

Em resumo:

“Esclarecimento de uma situação para melhor tomada de decisão”.

E o coração sai mais leve. Garantido.

Thiago é Terapeuta Holístico, Astrólogo, Oraculista, Dançarino e Instrutor de Danças Ciganas. Criador e fundador do Portal Lughnasadh. Busca comunicar ao mundo ideias e propostas a fim de semear boas vibrações e caminhos para a boa aventurança. Além de comunicar, Thiago busca desenvolver idéias para o desenvolvimento do Sagrado Masculino para a melhor vivência comunitária.

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