Na medida certa, sempre.

Na Medida Certa, Sempre.

 

Somos semelhantes. Não porque temos cabeça, tronco e membros, 2 olhos, 1 nariz, uma boca, 2 orelhas, etc.

Funcionamos do mesmo jeito, somos influenciáveis, ou melhor, sujeitos a influências da mesma maneira, nascemos, vivemos e morremos.

Fisicamente temos funcionamentos fantasticamente parecidos; temos uma faixa de temperatura, uma quantidade de água no corpo e um PH ideal de sangue, um número de batimentos cardíacos e respirações por minuto e, se algo desequilibrar estes parâmetros, o corpo sabe como restaurá-los.

Não pensamos muito nisto, mas é fantástico!

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Temos marés emocionais e reverberamos quando estamos em grupo. Às vezes, por pura falta de imaginação, força ou opção seguimos a boiada. Às vezes nos indignamos por perder a individualidade e às vezes nem percebemos que a perdemos num coletivo qualquer que escolhemos para nos dar segurança e estrutura.

Temos uma necessidade visceral de pertencer a algo, seja real ou imaginário. Mas, ao mesmo tempo, necessitamos de isolamento periódico para checar a quantas andam nossas reservas de força ou para lembrar de quem somos.

Somos uma espécie gregária e temos que desenvolver nossas individualidades. Sempre estamos sujeitos a forças antagônicas, pelo menos aparentemente antagônicas.

Seguimos adiante, crescemos na vida, evoluímos e amadurecemos sempre em movimentos de fluxo e refluxo. Uma grande respiração. Avançamos e nos recolhemos para refazer as energias gastas e para digerir a experiência.

Deveríamos, pelo menos, mas, não é bem assim que acabamos agindo. Não lidamos muito bem com esta parte de recolhimento e digestão da experiência.

Temos uma cultura de avanço e crescimento – falta-nos o movimento complementar, ou pelo menos ele não é muito bem visto pela nossa cultura.

Parece que nossa cultura nos instrui a sermos todos arianos, falta-nos a contemplação.

Por um lado, o da ação que pode ser vista de fora, somos uns azougues! Amamos mostrar o quanto estamos sendo proativos, eficientes e dignos de elogios e premiações. Por outro lado, não evoluímos como entidades individuais.

São detalhes bem sutis, mas de tanto querer mostrar serviço – e somos impelidos a agir assim – esquecemos de quem somos. Esquecemos de nossas peculiaridades e, quando percebemos, uma angústia muito grande se anuncia, meio sem nome, meio sem rótulo.

Quanto mais nos esforçamos para ficar bem na foto e fazer um belo papel social, mais nos esquecemos de nós mesmos.

Criamos uma zona de conforto artificial, de mentirinha.

Não nos sentimos bem, mas conhecemos o andar da carruagem – está ruim, mas está bom.

Zona de conforto tem  muito a ver com segurança e estabilidade. Dentro da zona de conforto conhecemos cada detalhe, seja bom ou ruim. Isto, por incrível que pareça, nos dá segurança.

Porém, tendemos a uma inércia e a uma acomodação que é tudo menos vida. A Vida perde o brilho, o encanto e o porquê. Vamos empurrando com a barriga.

Tem gente que consegue ir se enganando que está tudo bem até acabar o prazo de validade com a morte física.

Felizmente, somos seres naturais, por uma lado, e seres cósmicos, por outro, e isto nos permite ficar sujeitos às forças que movimentam a vida. Temos a opção de entrarmos em consonância com estas forças e deixar que elas nos ajudem a quebrar os limites que nos mantêm desconfortavelmente na zona de conforto.

Astrologicamente estas forças são representadas pelos planetas lentos, os transaturnianos Urano, Netuno e Plutão.

São forças arquetípicas contra as quais não temos chance de revoltinhas e birras. É como se nos lembrassem de quem somos. Somos filhos do dono. Somos espírito tendo uma experiência material, 3D. Não somos limitados, estamos limitados e com a memória reduzida.

Eles nos lembram disto através do que podemos chamar de insatisfação divina.

Quando nos afetam por trânsito, qualquer um dos 3, é comum entrarmos em parafuso. Achamos que estamos enlouquecendo, e que a vida não faz mais sentido, que tudo o que sabemos é que não queremos mais um série de coisas, pessoas, comportamentos nossos mesmos. Uma insatisfação geral toma conta de tudo aquilo que somos.

Caso não dermos atenção ao desconforto legítimo pelo qual passamos dentro de nós mesmos, caso achemos que precisamos apenas de um remedinho, uma pilulinha, as coisas à nossa volta começam a caotizar.

Ou muda, ou muda. Não há outra opção.

Não sabemos o que queremos, mas já sabemos o que não queremos mais de jeito nenhum!

É muito sábio entender que as coisas não serão mais como foram, pois você está crescendo. É como tentar colocar o sapato do ano passado sendo que seu pé cresceu.

E isto é bom! É a Vida ajudando você a seguir seu destino que foi planejado e traçado por você mesmo em um estado de consciência mais plena pré-natal.na medida 2

Limites protegem e nos dão a segurança para agirmos dentro de um ambiente reconhecível, portanto confortável. Mas, crescemos e os limites que protegiam agora cerceiam. Costumamos colocar a culpa num genérico que chamamos de “pessoas”.

“As pessoas não me deixam ser eu mesmo.”

Quanto maior é o impedimento, mais força será necessária para derrubar os limites para ampliar seus horizontes.

 

Queira crescer, queira evoluir, queira amadurecer.

A Vida é isto. Existe um nascimento e uma despedida, um final de prazo. O meio é que importa e o meio é a Vida, dinâmica, desafiadora e mãe amorosa. Ela ensina seus filhos a criarem seus caminhos.

E de uma coisa pode ter certeza, o desafio nunca vai ser além da sua força.

Assisti várias vezes a uma peça de teatro, Medeia de Eurípedes, onde tinha um trecho que me marcou muito. Ele dizia assim:

“Os deuses não têm compaixão dos homens fortes.

Maior é a fúria quanto mais forte é o homem.

Aos deuses agrada testar a força humana para provocar o gesto esplêndido da revolta.

Aos deuses só interessa o impossível e ai daquele que não for capaz.”

Parece trágico, mas o desafio é sempre na medida certa: a medida da sua força.

Um abraço

Clo Bassetto

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Clo Bassetto é Terapeuta Holística e Corporal, Astróloga, Musicista, Arquiteta (FAU-USP), Radiestesista e Estudiosa de Corpos Sutis e Campos de Energia Humanos. Mestra Orientadora Sênior de Reiki (Mikao Usui – Reiki Association International)

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