Lugh. O Deus Celta e sua Celebração. Lughnasadh.

Lugh. O Deus Celta e sua Celebração. Lughnasadh.Lugh

Era a celebração dos antigos celtas para Lugh, o Deus das muitas habilidades, um dos mais disseminados entre as diferentes tribos deste povo. O nome “Lugh” é aquele pelo qual o Deus era conhecido na Irlanda, e tem como raiz o termo primitivo para “relâmpago”. Como tal, Lugh é conhecido como um deus de iluminação, embora a idéia de ser um deus-sol não seja consenso entre os especialistas. “Lugus”, na Gália, e “Lleu”, no país de Gales, são alguns nomes pelos quais o Deus foi conhecido entre outros povos celtas.

Acredita-se que era a Lugus que Júlio César se referia quando escreveu sobre a divindade mais adorada entre os celtas, e que ele identificou como “Mercúrio” quando falou da religião dos gauleses, pois muitos atributos deste deus romano são semelhantes àqueles dados a Lugus.

O festival de Lughnasadh era um dos principais do calendário celta, e ocorre em 1º de agosto no hemisfério norte, marcando o meio do inverno, a época da primeira colheita, quando os dias começam a ficar mais longos. É um rito de esperança pelo retorno da abundância, e antigos relatos mencionam que era feita uma encenação na qual Lugh, personificado por um jovem da tribo, lutava contra um monstro que representava a fome ou a desgraça, e o vencia, trazendo de volta o tempo de colher.

É dito que o próprio Lugh, descrito como um lanceiro incomparável e grande responsável pela vitória dos deuses Tuatha sobre os antigos fomorianos, criou o costume de realizar competições esportivas neste período, chamadalugh_thumbs de “Óenach Tailten”, ou aproximadamente “a feira da Deusa Tailtiu”, em homenagem à mãe de Lugh. Era um dos eventos mais importantes para as tribos, pois significava um encontro entre grupos que passavam quase todo o ano isolados uns dos outros, e antigas rixas eram resolvidas em atividades esportivas, amigos e parentes se reuniam e jovens conheciam parceiros de outras paragens.

Outros elementos relacionados a Lughnasadh eram a oferenda ao Deus da primeira espiga colhida, que devia ser enterrada no topo de um monte dedicado a Lugh e o qual era escalado em peregrinação; o sacrifício de um touro sagrado e sua substituição por um novilho; o preparo de alimentos com os primeiros grãos colhidos e com mirtilos – uma das poucas frutas silvestres a nascerem nesta época do ano na Europa, simbolizando talvez a resistência da natureza. Lughnasadh era também, ao lado do festival de Beltane, um dos principais momentos para a união de casais.1_2

Muitos festivais hoje são descendentes do antigo Lughnasadh, especialmente nas regiões onde os celtas resistiram à aculturação por mais tempo. Um exemplo é a Puck fair irlandesa, que ocorre na cidade de Killorglin. Cabe lembrar que “Puck”, que significa “bode” em irlandês, é o nome de um dos protagonistas de “Sonhos de uma noite de Verão”, e o mundo de fadas da peça inglesa é estreitamente relacionado aos mundos espirituais celtas.

Lugh deixou sua marca em vários traços culturais do ocidente, e um dos menos conhecidos é ter dado origem ao nome de um povo celta da península ibérica. Alguns modernos estudiosos em etimologia aceitam que os Lusitanos devem seu nome a um de seus principais Deuses de devoção, Lus. Lusitanos seriam, portanto, a tribo de Lus, e Lusitania a sua Terra. Os portugueses, como descendentes diretos desta tribo, trariam em sua essência a marca do Deus, e você, que fala português e tem sangue luso, é parte da tribo de Lugh. E Lughnasadh é o seu festival.

Biólogo, ator, arqueiro, escritor em treinamento e especialista em comportamento animal, ecologia e saúde pública. Estudioso de mitologia comparada, história, culturas tradicionais e antropologia. Busca desenvolver novas ideias e abordagens destes assuntos e suas relações com o viver, e alcançar um entendimento do sagrado masculino.

Bookmark the permalink.

Comente...