Despedir-se do Passado

Despedir-se do Passado

Várias pessoas já me perguntaram se eu conhecia alguma maneira de fazer desligamento de passado. Acredito que todas as vezes eu tenha respondido algo, mas, provavelmente, coisas diferentes. Não por sagacidade, mas porque é um dilema para mim. Como? Como se faz isto? Não me sinto mal por ter respondido algo em que não confiasse plenamente, pois de alguma maneira o que sugeri fazia sentido para quem perguntou.lunar_eclipse_desktop_wallpaper
Porém, isto ainda persiste aqui dentro como uma pergunta sem resposta.
Hoje, dia de eclipse lunar, algumas coisas, simples até, vieram à tona, não como resposta definitiva, não acredito nisto, mas como mais uma coisa plausível a se fazer.
O que seria desligar-se do passado? Por que gostaríamos de nos desligar de algo/alguém do passado?
Porque incomoda, impede de ir adiante, faz com que nossa criatividade em buscar experiências novas seja minimizada?
Porque nos bloqueia a ponto de não termos mais curiosidade em relação ao desconhecido que não vivemos ainda e que está à nossa espera na próxima esquina, na próxima hora, dia, mês ou ano? O passado é tão poderoso a ponto de nos bloquear assim?
Quem vem perguntar a um terapeuta como se faz para se libertar do passado na verdade quer que você lhe dê uma fórmula mágica, algo que tenha o poder de fazer aquilo que ela não consegue e você como terapeuta dessas “coisas esquisitas” claro que deveria saber.
A busca por respostas a este tipo de pergunta sempre me parece com a procura por um comprimido para passar uma dor de cabeça. Não importa qual seja o motivo da dor, você quer mas é se ver livre dela. Claro que vai doer de novo e você vai tomar um outro comprimido e mais outro… Nos acostumamos com este imediatismo, só que a coisa é bem mais complexa do que um simples tomar de comprimido ou executar um ritual que é tiro e queda.
Somos feitos de nossas experiências e vivências passadas, não há como se desfazer de parte delas só porque nos incomodam, nos intimidam e nos fazer temer o que vem depois do agora.
Fiquei pensando em algo para comparar. Quem não é muito novinho se lembra da moda dos anos 80, certo? Todas queriam (e usavam..) umas calças semi-bags e uns cabelos que hoje chamaríamos cabelos de vassoura. Será que alguém guardou algumas dessas calças imensas de lembrança porque eram significativas e exaltavam um padrão de beleza etc. e tal, com a intençaõ de usá-las? Acredito que não.
Ao mesmo tempo em que queremos nos livrar de partes do passado, mantemos objetos de várias épocas, fotos, coisinhas e mais coisinhas…. Será que sem eles nos lembraríamos dos eventos associados a eles? Será que caberia tanta coisa na memória? É necessário lembrar? Como dói jogar for o papel do sonho de valsa que aquele safado nos deu; sim aquele safado que me deixou por outra e que depois………bla, bla, bla…
As experiências das quais queremos nos livrar são aquelas que não foram docinhas, boazinhas, resolutivas e amorosas, claro. Queremos nos livrar das memórias do que nos incomodaram, nos intrigaram, nos contestaram, nos deixaram com raiva, enfim não deram respaldo aos nossos achamentos do momento. Queremos nos livrar das pessoas que não gostaram de nós e nos fizeram ver que não estávamos absolutamente certos, nem éramos a pessoa tão importante que imaginávamos que fossemos.
Se olhássemos para trás e eliminássemos de verdade estes momentos azedos e, claro, suas lembranças, quem seríamos agora? Quantas vezes alguém atrapalhou os seus planos e quase o empurrou literalmente para outro caminho? E este caminho acabou sendo o melhor a ser seguido, só que você não o tinha percebido?
Deixei a cabeça divagar e pensei: em nós, em nossa vida, o que representa o passado, o presente e o futuro?
A luz do Sol, nossa estrela, que nos aquece, ilumina e vivifica, demora um pouquinho mais do que 8 minutos para chegar à nossa superfície. Portanto, quando olhamos para o céu e vemos o Sol ele já não está mais naquela posição. Aquela imagem que registramos já é passado.
Tudo o que vemos à nossa volta só vemos porque a luz do Sol ilumina, produz sombra e assim podemos distinguir objetos, paisagens, pessoas etc.. Isto tudo podemos considerar como imagens passadas, é só levar a lógica adiante.
No seu universo pessoal a única coisa que acontece em tempo real é sua consciência, o resto já é passado, já passou… Levando o pensamento adiante, do que você quer se livrar e não consegue já que à sua volta tudo é passado, suas lembranças são só lembranças, você não pode alterá-las? A escolha é sempre sua em decidir onde você vai atrelar sua atenção. As coisas fora de você, as coisas do passado não têm este poder, é você no presente quem decide.
Só que tem um porém, bastante forte, bastante atuante dentro de cada um: algo que costumamos chamar de zona de conforto. Aquilo que nos faz dizer que está ruim, mas está bom (!?). É ruim, mas eu conheço. O desconhecido eu não sei.
Todos temos isto em graus de intensidade diferentes.
Zona de conforto, memória, passado, lembrancinhas dentro de caixinhas e uma firme resolução de não largar mão disto, astrologicamente, é Lua. Não largamos o passado porque não queremos. Precisamos dele, das experiências, das memórias, das impressões, das lembranças porque sem ele não seríamos o que somos hoje. Mas não precisamos de todos estes arquivos mais.
Aí é que entra um ritual.
Podemos fazer um ritual com velas, cores, perfumes, procedimentos e toda a parafernália que possa impressionar esta nossa faceta persistente para que ela colabore e abra mão daquilo que não é mais necessário, sem resistência. Acredito que existam N rituais assim desde um bem singelo e barato até um altamente complexo e carésimo.
Eu opto por coisas práticas.
Que tal limpar o fogão? Parece muito sem glamour, não é? Mas é um ritual altamente eficiente. Tudo o que está grudado no seu fogão pertence ao passado e pode perfeitamente representar O PASSADO. Limpe cada fresta, cada queimador até que brilhe e não tenha mais nenhum resíduo, pegue as grades e raspe tudo o que estiver incrustrado. Não pense em eventos do seu passado dos quais você quer se livrar, ritualize e foque na ação. Fique horas envolvido; não queira terminar logo porque é chato e estraga as unhas, faça esforço, transpire, enfim arranque tudo o que estiver no fogão que não seja o fogão em si.
Funciona também com panelas.

- Pegue todas as panelas e tampas de alumínio que estão sem brilho; use uma esponja de aço e detergente e esfregue-as até virarem espelhos de passar batom.
– Suas unhas ficaram encardidas? O passado que saiu das panelas grudou nas suas mãos?
– Vá até o tanque e lave algumas peças de roupa à mão. As unhas ficarão limpinhas.
– Suas mãos ficaram ásperas?
– Faça uma receita de pão. Não existe coisa melhor para a pele das mãos do que sovar massa de pão e de brinde você terá músculos trabalhados e melhorará sua postura.
– Agora tome um banho com ervas de limpeza e sal grosso. Deite-se e sinta seu corpo cansado, meio formigando pelo excesso de atividade nã usual e descanse.
– Refaça o esmalte de suas unhas. Você acabou de quebrar um paradigma.

Pode parecer besteira, mas esta sequência funciona. Não precisa ser exatamente assim o importante é que faça sentido, que seu corpo seja usado, que o foco seja mantido e que você não se lamurie.
Rituais passivos não convencem nossa Lua, a senhora das memórias, a nossa criança resistente, mas que é a que dá a permissão para que este ou aquele futuro aconteça. É a senhora que permite que vivamos no presente participando ativamente dele na forma de criatividade e não como sabotadora. O seu consciente não é nada sem ela.
Escolha não viver do passado, escolha não viver do futuro. Seja presente e viva no presente, use suas experiências do passado pois elas é fizeram você ser o que é. Se você não gosta do resultado, mude, não culpe o passado.
Hoje é um dia perfeito para desligar-se de partes do passado.
Uma lua cheia com eclipse.
Foi no comecinho do dia, entre 6 e 6:30 hs.lunar_eclipse_2
Hoje a Terra (o presente ou realidade objetiva) se posicionou entre o Sol (a consciência, o vir a ser, a realização, a força impulsionadora para o futuro) e a Lua (o passado, a memória, o apego, a zona de conforto e nossas questões não conscientes).
Vamos ficar sob esta influência por alguns dias, sendo hoje o dia mais intenso. Aproveite, use força física, seus músculos, sua fisicalidade, enfim sua parte feita com matéria planetária para colocar ordem em sua vida. Chega de não ser dona daquilo que você quer. O passado não tem esse poder e, se existe algum ritual que se adapte a você crie-o agora. Esqueça a pílula mágica que alguém possa supostamente ter no bolso.
A grande mágica é que você é o presente, o passado e todos os futuros possíveis e os prováveis também.
Somos o centro de nossos universos pessoais, senhoras e senhores absolutos de todas as decisões inclusive a de nos apegarmos ao passado ou não. E isto pode ser apenas uma desculpa. Torne seu presente interessante.
Quando o passado quiser falar mais alto resgate um sonho não executado que está lá guardadinho e torne seu presente muuuito mais interessante.

Clo Bassetto
04/04/2015

Clo Bassetto é Terapeuta Holística e Corporal, Astróloga, Musicista, Arquiteta (FAU-USP), Radiestesista e Estudiosa de Corpos Sutis e Campos de Energia Humanos. Mestra Orientadora Sênior de Reiki (Mikao Usui – Reiki Association International)

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One Comment

  1. Gostei muito disto, Clo. Simples, acessível e bem maduro, afinal, porque tanto apego ao passado e medo de deixá-lo ir, não é mesmo?
    Porque tanta nostalgia, tantos medos, tantas marcas, se podemos decidir conscientemente seguir? Porque? Perguntas sem respostas ao menos para mim. Bjos e gratidão pela dica.

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